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ABPM discute com Governo política nacional de fertilizantes

Publicada no dia 30 de Abril de 2021

ABPM discute com Governo política nacional de fertilizantes

Reunião do Grupo de Trabalho  discutiu o Potássio e ações para impulsionar a produção dos insumos agrícolas e reduzir a dependência externa do país

 

A Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM) participou, na tarde de ontem (29/4), de reunião do Grupo de Trabalho Interministerial sobre o Potássio (K). Integraram o painel de debates do encontro, o presidente da associação, Luís Mauricio Azevedo, e o diretor Luiz Antônio Vessani. 

 

O objetivo do GT é fortalecer políticas de incremento da competitividade da produção e da distribuição de fertilizantes no Brasil de forma sustentável, diminuindo a dependência externa e beneficiando o agronegócio brasileiro no mercado internacional. A iniciativa do grupo, oriundo de decreto de janeiro deste ano, é da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR). 

 

O presidente da ABPM abriu a sua apresentação expondo a demanda nacional por fertilizantes. “O Brasil tem 0,5% da produção mundial de potássio e 0,07% das reservas do mineral. Somos o segundo maior consumidor de potássio do mundo, com potencial de terras agricultáveis de crescer esses índices em, pelo menos, quatro vezes. Nunca conseguiremos suprir a necessidade por fertilizantes com os sais que temos no Brasil. E é aí que os novos projetos são fundamentais. Temos de encontrar outras fontes de potássio”, avaliou Azevedo. 

 

O presidente defendeu a produção nacional do fertilizante a fim de diminuir a vulnerabilidade dos preços mediante o cenário internacional. “Os picos de preço, observados de 50 em 50 anos, podem afetar diretamente a produção nacional”, observou, acrescentando que é fundamental questionar se as restrições que impedem a autonomia brasileira na produção de potássio são relevantes diante da dependência internacional do país. “Essas restrições devem ser superadas com atuação conjunta, como temos visto em iniciativas como este grupo de trabalho. Os projetos precisam ser apoiados pelo governo”, ponderou o presidente. 

 

Para ele, é necessário rever o modelo brasileiro de fertilização atual, altamente dependente de importações. “As principais dificuldades, como baixa oferta no mercado interno, exaustão dos sistemas de produção e o fato de que o sistema de agricultura e manejo, não foram desenhados para solos tropicais, fazem com que nosso mercado interno sofra com altos custos, por conta da baixa infraestrutura, e com alto custo logístico, principalmente em função da importação e localização das fronteiras agrícolas”, ressaltou Azevedo. 

 

Cases de sucesso

Os diretores da ABPM citaram vários casos de sucessos de projetos recentemente implantados no país. Um deles foi relatado pelo próprio Luís Azevedo, ao citar o KP Fértil. Para Azevedo, os excelentes resultados comprovados pelo KP Fertil e sua aceitação do mercado como fonte alternativa de aplicação direta, como insumo para produção de compostos, organominerais, e outros, alinhado ao seu “DNA sustentável”, somente reforçam a possibilidade de incorporação destes tipos de insumos alternativos dentro do manejo contemporâneo que trazem benefícios inúmeros, sejam financeiros, ambientais, sociais etc.

 

O diretor da ABPM Luiz Antônio Vessani apresentou outros exemplos bem-sucedidos no uso de remineralizadores como fertilizantes para a agricultura. Vessani destacou a empresa Edem Agrominerais, em atuação há 10 anos. “O mercado agrícola representa uma imensa oportunidade no Brasil, porque possibilita a discussão de estratégias a partir de carências. Na Edem, optamos por entrar no mercado por um caminho menos desafiador, com os produtos do fosfato. Temos um projeto altamente viável em Mato Grosso do Sul”, explicou. 

 

O projeto engloba pesquisa mineral de detalhes, incluindo amostragens, sondagens, análises químicas, modelagens de reservas e relatório final de pesquisa, além de estudos de eficiência agronômica e biossolubilização em instituições oficiais. Vessani também citou, como cases de sucesso, a Mineração Curimbaba.

 

Foi comentado, ainda, que atualmente a principal produção de potássio no Brasil ocorre no estado de Sergipe da empresa Mosaic, que adquiriu a mina da VALE em 2018, a qual possui uma vida útil bem reduzida em termos de reservas, já que não há perspectiva do aproveitamento da carnalita. Daí, a importância de se viabilizar o aproveitamento das jazidas de potássio da região do estado do Amazonas. O Brasil Potássio tem buscado viabilizar as suas jazidas na região apesar de contar com sérios condicionantes ambientais. 

 

Gargalos

Entre as principais barreiras no setor de fertilizantes naturais, o presidente da ABPM destacou a falta de incentivos nacionais substanciais e de um plano nacional de incentivos, como impostos interestaduais. Além disso, para Azevedo, a falta de financiamento e de ações de fomento para projetos representam barreiras para a liberação de linhas de crédito e ou restringem recursos para novos projetos. Também é importante considerar, segundo o presidente, a não abertura das agências para novas tecnologias, gerando conflitos de interesses, e a carência de pesquisas oficiais e de profissionais interessados e capacitados, sob risco de minimizar um setor com grande potencial de crescimento. 

 

As proposições da ABPM para inversão nesse cenário de dependência externa e dificuldades internas apresentadas por Azevedo incluem o direito minerário como garantia, permitindo o uso como contrapartida em financiamento bancário; o licenciamento ambiental simplificado, com autolicenciamento para novos projetos minerais que dispensem barragens e não gerem resíduos; o incentivo ao capital de risco, com fomento à pesquisa mineral via mercado de capitais; e inovação e alocação de verbas na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), empresa referência em pesquisa e extensão agrícola, capaz de levar inovações e ferramentas alternativas aos produtores brasileiros.